Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026: os números que toda OSC precisa conhecer
A Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026 revela que já são 60 milhões de voluntários no país. Veja o perfil e os dados que sua OSC precisa conhecer.

Acaba de ser lançada a 4ª edição da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo Instituto Datafolha, sob coordenação de Silvia Naccache, com gestão financeira do CIEDS e da Filantropia. A série histórica começou em 2001 e ganhou novas edições em 2011 e 2021. Agora, em 2026, ela chega em um momento simbólico: o ano em que a ONU celebra o Ano Internacional do Voluntário para o Desenvolvimento Sustentável.
O estudo ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios, incluindo capitais e regiões metropolitanas de todas as regiões do país, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Além disso, o levantamento traz um retrato completo de quem é o voluntário brasileiro hoje, por que ele participa e o que ainda impede milhões de pessoas de se engajar.
Neste conteúdo, reunimos os principais dados da pesquisa e, mais importante, o que eles significam na prática para a gestão da sua OSC.
Onde estamos: o voluntariado nunca cresceu tanto
Segundo a pesquisa, serviço ou atividade voluntária é doar tempo e trabalho de maneira espontânea e sem remuneração para a comunidade, para projetos sociais, para programas assistenciais ou para situações emergenciais. Essa atividade pode ser individual, organizada por grupos ou por empresas.
A partir desse conceito, os números mostram uma trajetória de crescimento consistente. Em 2001, apenas 18% dos brasileiros afirmavam já ter feito algum trabalho voluntário. Esse índice subiu para 25% em 2011, depois deu um salto para 56% em 2021 e chegou a 60% em 2026. Ou seja, em pouco mais de duas décadas, o voluntariado deixou de ser uma prática restrita e passou a fazer parte da vida da maioria dos brasileiros.
O crescimento também aparece quando olhamos para quem está ativo hoje. Em 2011, 73% dos entrevistados diziam nunca ter feito nenhuma atividade voluntária. Em 2026, esse número caiu para 40%. Enquanto isso, a proporção de quem realiza voluntariado sem frequência definida saltou de 8% para 23% no mesmo período, e quem atua com frequência regular passou de 5% para 11%.
Entre quem é voluntário ativo hoje, a dedicação média é de 3,6 horas por mês, com bastante variação: 26% dedicam entre 1 e 3 horas mensais, mas 18% dedicam mais de 10 horas.
Quem é o voluntário brasileiro hoje
Com o crescimento do voluntariado, também mudou o perfil de quem participa. Entre os voluntários ativos em 2026, a divisão por sexo é praticamente igual, com 51% mulheres e 49% homens. A idade média é de 45 anos, e a faixa de 45 a 59 anos é a mais representativa, com 29% do total.
Em relação à escolaridade, 38% têm ensino médio, 36% ensino fundamental e 30% ensino superior. A maioria, 71%, faz parte da população economicamente ativa (PEA). Quanto à renda familiar, 53% vivem com até 2 salários mínimos, o que reforça que o voluntariado não é uma prática restrita a quem tem mais recursos financeiros.
Sobre cor autodeclarada, 47% se identificam como pardos, 34% como brancos e 15% como pretos. Já em relação à religião, 91% dos voluntários ativos afirmam ter religião, sendo 48% católicos e 29% evangélicos.
O voluntário mudou desde 2021?
Comparando com a edição anterior, alguns movimentos chamam atenção. A idade média dos voluntários ativos subiu de 43 para 47 anos, o que sugere um público que se mantém engajado ao longo do tempo, mas menos entrada de gente muito jovem. A proporção de pardos e pretos também cresceu, de 55% em 2021 para 62% em 2026, enquanto a de brancos caiu de 34% para 26%.
Por que as pessoas se voluntariam
Ao perguntar aos entrevistados o que os motiva, a pesquisa encontrou uma resposta dominante. Ser solidário e ajudar os outros aparece com 73% das menções, muito acima de qualquer outro motivo. Motivações religiosas somam 9%, enquanto fazer a diferença e melhorar o mundo, melhorar a autoestima e dever de cidadania aparecem cada um com 5%.
Além da motivação, a pesquisa também revela como o voluntariado é exercido. A grande maioria, 83%, atua por conta própria, um índice que subiu em relação aos 76% registrados em 2021. Já o voluntariado por meio de uma empresa soma 9%, e por instituições religiosas ou igrejas cai de 7% para 4%.
Quanto às áreas de atuação, a mais comum é fome, pobreza e desigualdade, citada por metade dos voluntários. Saúde vem em seguida, com 24%, e educação, com 22%. Em média, cada voluntário atua ou já atuou em duas áreas diferentes.
O crescimento do voluntariado independente
Vale destacar que a queda na mediação por igrejas chama atenção porque essas instituições historicamente foram uma das principais portas de entrada para o voluntariado no Brasil. Assim, se cada vez mais pessoas decidem atuar por conta própria, isso significa que canais tradicionais de recrutamento perdem espaço, e a forma como uma OSC se apresenta publicamente passa a pesar mais na decisão de quem quer ajudar.
O que ainda impede mais gente de participar
Apesar do crescimento, 65% da população brasileira com 16 anos ou mais ainda não realiza nenhuma atividade voluntária atualmente. Porém, os dados mostram que existe um potencial de expansão relevante: entre quem nunca se envolveu, 42% declaram ter interesse em fazer algum tipo de atividade voluntária.
As causas de maior interesse entre esse público seguem a mesma lógica de quem já é voluntário. Fome, pobreza e desigualdade lideram, com 51%, seguidas por saúde, com 43%, e educação, com 32%. Chama atenção que o interesse por saúde e educação entre não voluntários é ainda maior do que a atuação real desses temas entre os voluntários ativos, o que sugere espaço de crescimento nessas áreas.
Quando o assunto é o motivo de não participar, a barreira mais citada, de forma isolada, é a falta de tempo, com 52% das menções entre quem nunca fez atividade voluntária. Em seguida, aparecem barreiras menos óbvias, porém igualmente importantes para quem gere uma organização: 12% dizem não conhecer organizações ou projetos que trabalham com voluntariado, e 9% sentem falta de um convite sobre como participar.
O gap entre intenção e ação
Esse último ponto é, talvez, o dado mais estratégico da pesquisa para quem trabalha na gestão de uma OSC. Existem milhões de pessoas dispostas a ajudar, mas que simplesmente não sabem por onde começar ou nunca foram convidadas a participar. Em outras palavras, o desafio não é apenas de motivação, mas também de comunicação e de acesso.
Voluntariado corporativo: um protagonismo ainda pequeno
O voluntariado empresarial representa apenas 9% dos voluntários ativos atualmente, o que indica que essa ainda é uma modalidade pouco explorada em relação ao potencial total do setor. Contudo, o perfil de quem atua por meio de empresas revela algumas particularidades interessantes.
Esse público é, em média, mais jovem, com 41 anos contra 47 anos entre os voluntários em geral. Também é mais escolarizado, com 44% tendo ensino superior, contra 30% na base total. Além disso, entre os voluntários empresariais, a proporção de atuação ocasional é maior, 54% contra 46% na base geral, o que sugere um perfil mais pontual e vinculado a ações específicas promovidas pelas empresas.
Esses números apontam para uma oportunidade real de parceria entre OSCs e empresas, especialmente para alcançar um público mais jovem e qualificado que ainda não encontrou seu caminho até o voluntariado tradicional.
Para onde vamos: tendências para o voluntariado até 2030
A partir do conjunto de dados, a própria pesquisa aponta sete tendências que devem orientar o setor nos próximos anos.
O que esses dados significam para a sua OSC
Os números da Pesquisa Voluntariado no Brasil 2026 mostram um cenário favorável: o brasileiro quer ajudar, sabe por que quer ajudar e, cada vez mais, prefere fazer isso por conta própria. No entanto, a mesma pesquisa revela o principal obstáculo para transformar essa vontade em ação, que é a falta de acesso e de convite claro.
Isso reforça a importância de uma boa gestão de contatos e de relacionamento. Organizar quem já demonstrou interesse, segmentar por perfil e área de atuação, e manter uma comunicação ativa com potenciais voluntários são passos essenciais para captar parte dessa demanda represada. No HYB, módulos como Cadastros e CRM ajudam justamente nisso, dando à sua OSC uma base organizada para transformar interesse em participação de fato.
A pesquisa não termina no lançamento. Ela traz o passado, a evolução e o presente do voluntariado brasileiro, mas também aponta o futuro: deve servir como base para decisões, políticas e programas que fortaleçam o voluntariado nos próximos anos. E a sua organização pode ser parte dessa transformação.
Para acompanhar o perfil de quem apoia sua causa, veja também: Quem é o doador brasileiro?
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