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Captação por herança e legado: como incluir OSCs no planejamento sucessório de doadores

Descubra o que é captação por herança e legado, como funciona o planejamento sucessório e o passo a passo para incluir sua OSC nesse processo.

  • Marina KipperMarina Kipper
  • 3 de setembro de 2026
  • Captação de Recursos, Gestão Terceiro Setor
Mãos de diferentes gerações entrelaçadas, simbolizando a captação por herança e legado como continuidade

O que é captação por herança e legado

Captação por herança e legado é a estratégia pela qual uma organização convida seus apoiadores a destinarem parte de seu patrimônio à causa, por meio de testamento ou de outros instrumentos de planejamento patrimonial.

Vale esclarecer que herança é o patrimônio como um todo, transmitido no momento da morte e dividido entre os herdeiros conforme a lei. Legado é uma parte específica desse patrimônio, seja um bem determinado ou uma fração de valor, destinada por testamento a alguém que não é herdeiro necessário. Juridicamente, a OSC normalmente figura como legatária ou beneficiária de uma liberalidade, e não como herdeira no sentido legal do termo.

Na prática, toda doação por legado ocorre dentro de uma herança, mas nem toda herança envolve um legado. É esse instrumento, o legado testamentário, que permite a uma pessoa incluir uma causa social em seu planejamento patrimonial. Na existência de herdeiros necessários, a disposição testamentária em favor da OSC deve respeitar os limites da parte disponível do patrimônio, nos termos da legislação sucessória.

Como funciona na prática

Existem três caminhos principais pelos quais um doador pode incluir uma OSC em seu planejamento patrimonial.

1

Testamento

Instrumento mais utilizado. A legítima (metade do patrimônio) é garantida aos herdeiros necessários. A outra metade, a parte disponível, pode ser destinada livremente, inclusive a uma OSC.

2

Doação em vida

O doador pode transferir bens em vida, observadas as regras sucessórias e tributárias aplicáveis, inclusive por meio de doação com reserva de usufruto quando juridicamente adequada.

3

Seguro de vida

Menos comum como legado institucional no Brasil. Em alguns casos, a OSC pode ser indicada como beneficiária de parte da indenização de um seguro de vida contratado pelo doador, de acordo com as regras da apólice e da seguradora.

O testamento é o caminho mais explorado por campanhas de legado no Brasil, exatamente porque preserva o direito dos herdeiros e, ao mesmo tempo, dá liberdade ao doador sobre a parte disponível do seu patrimônio.

O que é planejamento sucessório

Planejamento sucessório é o processo de organizar, ainda em vida, como o patrimônio de uma pessoa será transmitido depois de sua morte. Diferente da herança, que é um evento (o momento da transmissão em si), o planejamento sucessório é uma decisão antecipada e estruturada.

Esse processo normalmente envolve advogados especializados em direito de família e sucessões, contadores e, em alguns casos, holdings familiares. Quando uma pessoa inclui uma causa social nesse planejamento, ela está tratando a doação com a mesma seriedade com que trata a divisão de bens entre os herdeiros, não como uma decisão de última hora.

Para uma OSC, entender essa lógica é importante porque significa que a conversa sobre captação por herança e legado acontece isoladamente. Ela faz parte de um processo mais amplo que o doador já está conduzindo, com ou sem a participação da organização. Os instrumentos de planejamento sucessório devem ser definidos individualmente, considerando a situação familiar, patrimonial, societária e tributária de cada pessoa.

Por que isso importa para a sua OSC

Captação por herança e legado não substitui doação recorrente ou campanhas pontuais. Ela cumpre outra função: diversificar as fontes de sustentabilidade financeira de longo prazo.

Diferente de uma doação voltada a uma necessidade imediata, o legado costuma vir de doadores que já têm uma relação consolidada com a causa, e representa um valor que muitas vezes seria inviável captar por outros meios ao longo da vida do doador. Por isso, organizações que já trabalham com fundos patrimoniais, por exemplo, frequentemente têm o legado testamentário como uma das fontes previstas de aporte para o patrimônio de longo prazo, como já detalhamos no post sobre Fundos Patrimoniais para OSCs.

O ponto central é que essa modalidade de captação exige paciência. O intervalo entre a intenção do doador e o efetivo recebimento do recurso pela OSC costuma ser longo, às vezes décadas. Isso não é um problema a ser resolvido, é uma característica da própria natureza do legado.

O perfil do doador de legado

Não é qualquer apoiador que considera incluir uma OSC em seu testamento. Em geral, esse perfil reúne algumas características em comum: relação de longo prazo com a organização, vínculo emocional real com a causa, e frequentemente uma motivação ligada a alguma experiência pessoal, seja própria ou de alguém próximo.

Esse é um dos motivos pelos quais causas de saúde e assistência social costumam ter presença forte entre organizações que já captam legados no Brasil e no exterior. A pessoa que recebeu cuidado, ou viu um familiar ser cuidado, tende a sentir que está retribuindo algo, e não apenas doando.

Por isso, identificar potenciais doadores de legado não é uma tarefa de campanha de captação pontual. É um trabalho de relacionamento contínuo, que depende de a organização conhecer bem sua própria base de apoiadores de longa data, quem mantém contato frequente e quem demonstra forte conexão com a causa ao longo do tempo.

Passo a passo para incluir sua OSC no planejamento sucessório de doadores

O erro mais comum é achar que captar legado exige uma estrutura jurídica robusta, uma equipe dedicada ou um programa inteiro já planejado. Nada disso é pré-requisito para começar. Alguns passos práticos e acessíveis para qualquer OSC, independente do porte:

1

Comece pela comunicação, não pela estrutura

Inclua pequenas menções ao tema em canais que já existem: uma frase no rodapé do e-mail institucional, um parágrafo em uma newsletter, um destaque no final de um post do blog.

2

Cuide da linguagem

Evite expressões como “depois que você morrer” ou “após o falecimento”. Fale sobre futuro, continuidade e contribuição duradoura. O tema precisa aparecer como um convite, não como um pedido.

3

Use prova social

Compartilhar histórias de apoiadores que já incluíram a organização em seu testamento, mesmo que sejam poucos casos, ajuda a normalizar esse gesto para outros doadores, sempre respeitando a privacidade e a autorização dos envolvidos.

4

Mapeie sua base antes de criar campanha

Observe doadores de longo prazo, com contato frequente e forte conexão com a causa, sem presumir interesse em realizar disposições testamentárias. Uma pesquisa simples sobre o vínculo da pessoa com a organização já é suficiente para começar a identificar interessados.

5

Reconheça sem ostentar

Um gesto simbólico ou uma carta escrita à mão costuma ter mais significado do que placas ou eventos grandiosos.

Nenhum desses passos exige investimento alto. O que exigem é consistência e paciência, porque os resultados desse tipo de captação não aparecem em meses, e sim em anos.

Vale reforçar que a organização pode fornecer informações institucionais sobre a possibilidade de realização de legados, mas essa comunicação não substitui a orientação de advogado ou profissional especializado, que deve ser buscada diretamente pelo doador.

Legado Solidário: uma iniciativa que já mobiliza grandes OSCs no Brasil

No Brasil, uma das iniciativas mais estruturadas para estimular esse tipo de doação é o Legado Solidário, criado pelo Colégio Notarial do Brasil, Seção São Paulo (CNB/SP). Não se trata de uma empresa nem de uma organização isolada, mas de uma campanha que reúne tabeliães e diversas organizações da sociedade civil, entre elas AACD, GRAACC, Instituto Ayrton Senna e Exército de Salvação, com o objetivo de incentivar a população a considerar causas sociais ao redigir seus testamentos.

Por meio do site oficial da campanha, o público encontra informações acessíveis sobre como funciona o testamento público, quais causas podem ser apoiadas e quais organizações participam da iniciativa. A existência de uma campanha como essa é um indicativo de que o tema, embora ainda pouco difundido no Brasil em comparação a países como Reino Unido e Canadá, já tem espaço institucional reconhecido e pode ser um ponto de referência para OSCs que querem começar a falar sobre legado.

Como o HYB apoia esse trabalho

Captação por herança e legado começa e termina em relacionamento. Antes de qualquer instrumento jurídico, o que sustenta essa conversa é conhecer bem os apoiadores de longa data da organização e manter esse vínculo vivo ao longo do tempo. Ferramentas de CRM, como a que você encontra no software HYB, ajudam a organizar esse relacionamento contínuo, centralizando o histórico de contato e facilitando a comunicação com quem já demonstra vínculo consolidado com a causa. É esse relacionamento, construído ano após ano, que abre espaço para uma conversa sobre legado no futuro.

Conclusão

Captação por herança e legado ainda engatinha no Brasil, mas o cenário está mudando. Iniciativas como o Legado Solidário mostram que já existe espaço institucional reconhecido para o tema, e a reforma tributária, mesmo em definição, colocou o assunto na pauta de advogados e organizações ao mesmo tempo.

Para uma OSC, o primeiro passo não é jurídico. É começar a falar sobre continuidade com os apoiadores que já têm uma relação de confiança construída ao longo do tempo, com linguagem cuidadosa e sem pressa. Os aspectos jurídicos e tributários devem ser analisados caso a caso com apoio profissional especializado.

Quer fortalecer o relacionamento de longo prazo com os apoiadores da sua OSC?

Entre em contato conosco!
# captacaoderecursos# doação# herança# legado# OSC# planejamento sucessório# terceirosetor# testamento
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